terça-feira, 26 de junho de 2007

No aniversário da igreja - eles estiveram lá.


sexta-feira, 22 de junho de 2007

Evangelho Social: Do que precisa o homem?


Minha consciência cristã leva-me para teologia - para práxis do evangelho social. Não para ideologia. Não quero me conformar com este mundo. Entendam-me, por favor, quero agir sem anarquia, sem interesses ambíguos, quero contribuir para um bom convívio basilar. Contudo, isso não significa que vou entrincheirar-me atrás de barreiras, lutando contra o capitalismo selvagem que assola o país, idealizando uma salvação social ou um novo mundo. Não quero tornar-me um revolucionário tipo Bar Cochoba. Mas confesso que diante das circunstâncias, não seria uma desventura, se estivessem entre nós, à voz de homens reformadores, ecoando, como Lutero em Wittenberg, e seu “caixa comum” em prol do trabalho social. Através das doações, o “caixa comum’ tinha funções e objetivos de amenizar a crise estabelecida. Era sua luta contra o leão dos impostos - o sistema econômico -, e seus 50% de juros ao ano. O que diriam disso tudo? Ora meus queridos, diz a bíblia.

Sl: 41:1 BEM-AVENTURADO é aquele que atende ao pobre; o SENHOR o livrará no dia do mal. 2 O SENHOR o livrará, e o conservará em vida; será abençoado na terra, e tu não o entregarás à vontade de seus inimigos. 3 O SENHOR o sustentará no leito da enfermidade; tu o restaurarás da sua cama de doença. Pv. 19:17 Ao SENHOR empresta o que se compadece do pobre, ele lhe pagará o seu benefício.

Junto Lutero, a voz de homem como George Muller e sua porta larga. O orfanato com mais de 2000 órfãos sendo alimentados e educados, tendo Deus como interventor e sustentador. Talvez esteja pensando. Puxa! Será necessário realmente isso? E “esses demagogos” que ouvimos todo dia na mídia, falando acerca desse assunto? E verdade! Concordo com você. Existe sim, os manipuladores sociais. Percebo uma cortina de enredo, alguns exploram, outros desprezam a causa. E mais outros usam como massa de manipulação política, e outros tantos usam movimentos e suas ideologias maniqueístas para fins nada dignos, tentando conseguir algo em troca. Outrora, essa luta com resquício demagogos e discursos tendenciosos, foram empurrados por grupos latino-americanos – incluindo católicos romanos e protestantes. Através dos gritos expressivos como o que ouvimos nos telejornais. “fim da injustiça” “queremos justiça”. Hoje, ouvimos, “ vamos a luta companheiro”. Parece-me que surgia ali o berço da teologia da libertação. Eram esquerdistas ou direitistas? Conservadores ou Progressistas? Será que todos deveriam seguir seus próprios meios para conseguir um fim? E as questões como salvação e santificação individual? Deveria ser posta de lado?

Assim caminhou a humanidade. Antes, entrou em cena a antropologia, misturou-se estado/igreja/política Feuerbach versos Hegel, se andar mais um pouco encontrará o comunismo Marxista, descambando-se para capitalismo, e chegamos ao proletariado. Pronto, estava ali a veia importante para um desenrolar histórico sem fronteiras. Pobres versos Ricos. Feudos versos Plebeus. Classes Altas versos Classes Baixas. Burguesia versos proletariado. Quem possui alguma coisa, luta para ganhar mais; e quem não possui, luta para possuir e/ou sobreviver. Nesse afã “solucionático”. Ficou igualzinho a história de Leon Tolstoi. Afinal “De quanta terra precisa o homem?”.

Não! Ainda não consigo desassociar o ser humano da terra, do meio habitat. Existe dentro de mim uma profunda insatisfação com o “Status quo”, não a omissão e neutralidade. Por esta causa. Sl. 82:3 Fazei justiça ao pobre e ao órfão; justificai o aflito e o necessitado. Livrai o pobre e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios. Sou desperto para os interesses mútuos sociáveis. Não devo desapegar-me, estou ligado aos mesmos problemas na qual convivo. Is 10: 1 – 4; Dn 4:17 A maioria dos evangélicos possuem um elevado sentimento de justiça social. Insto a não negligenciar esse interesse, de exercitar sua fé com obras sociais. “Fazei o Bem a todos os homens”“que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir…” 1Tm 6:18. Faremos isso, mas devemos realmente terminar nosso exercício aqui? Entre os nossos? E mais ainda. Talvez a pergunta pareça na sombra. Quem na verdade são esses os pobres? Falo da expressão Rãs – Carente, Necessitado. Ou Penés, são nesses termos que quero me deter. São os que vivem na miséria absoluta, carentes de alimento, são os que trabalham e possuem apenas o trivial – o velho feijão com arroz, e quando tem. Infelizmente, nessa classe, incluo os cidadãos dos céus, mais desprovidos de qualquer alimento. Mesmo sabendo que o Senhor supriu. Pois os vejo entre os meus, perseverando e crescendo. Encontrando a compaixão e misericórdia, e sendo felizes e ricos da Graça, porque possuem Deus. Algumas cenas na bíblia me chamam a atenção:

Lm11 Todo o seu povo anda suspirando, buscando o pão; deram as suas coisas mais preciosas a troco de mantimento para restaurarem a alma; vê, SENHOR, e contempla, que sou desprezível. 12 Não vos comove isto a todos vós que passais pelo caminho?

Lm2: 11 Já se consumiram os meus olhos com lágrimas, turbadas estão as minhas entranhas, o meu fígado se derramou pela terra por causa do quebrantamento da filha do meu povo; pois desfalecem o menino e a criança de peito pelas ruas da cidade. 12 Ao desfalecerem, como feridos, pelas ruas da cidade, ao exalarem as suas almas no regaço de suas mães, perguntam a elas: Onde está o trigo e o vinho?

Ne.5:2 Porque havia quem dizia: Nós, nossos filhos e nossas filhas, somos muitos; então tomemos trigo, para que comamos e vivamos. 4 Também havia quem dizia: Tomamos emprestado dinheiro até para o tributo do rei, sobre as nossas terras e as nossas vinhas. 5 Agora, pois, a nossa carne é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos como seus filhos; e eis que sujeitamos nossos filhos e nossas filhas para serem servos; e até algumas de nossas filhas são tão sujeitas, que já não estão no poder de nossas mãos; e outros têm as nossas terras e as nossas vinhas. 6 Ouvindo eu, pois, o seu clamor, e estas palavras, muito me indignei. 7 E considerei comigo mesmo no meu coração; depois pelejei com os nobres e com os magistrados, e disse-lhes: Sois usurários cada um para com seu irmão. E convoquei contra eles uma grande assembléia.

Um dos propósitos da terra chamada Canaã, era criar meios econômicos para diminuir a pobreza. Dt. 15:7 – 14. Estabelecer princípios favoráveis que possam gerar o bem comum. Se fossemos falar sobre libertação social - o povo Hebreu foi liberto. Inclusive das garras de um sistema opressor. Deus escolheu um homem chamado Gideão para libertar seus irmãos dos midianitas, que viviam oprimindo o povo, saqueando as plantações. Esses aspectos precisam ser repassados a memória.

Na carta universal de Tiago. 2: 15 - 17 E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. “Felizes são os pobres” pobres de espíritos? Sim. Mas por serem pobres? Não. Pobreza não traz felicidade. Tiraram deles esse direito de sobrevivência, vivem nas condições subumanas, a margem da sociedade, criados por ela, e condenados por ela mesma; enquanto muitos evangélicos estão dentro das igrejas com ar- condicionado. Para Deus não há acepção de pessoas. Eles - os pobres, são incluídos, não excluídos. O evangelho alcança. É para todos os povos, raças, línguas e nações. Quem, pois, tiver bens do mundo, e, vendo o seu irmão necessitado, lhe cerrar as suas entranhas, como estará nele o amor de Deus? 18 Meus filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas por obra e em verdade. 19 E nisto conhecemos que somos da verdade, e diante dele asseguraremos nossos corações; 20 Sabendo que, se o nosso coração nos condena, maior é Deus do que o nosso coração, e conhece todas as coisas. 21 Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança para com Deus; 22 E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. 23 E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. 24 E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.” (1Jo. 17- 22).

Existiram classes desafortunadas na sociedade, continuam existindo, e sempre existirá. Porém, a assistência às vítimas desses sistemas econômicos corrosivos, é promovida por ela mesma. E nós estamos incluídos, tanto na derrocada, como também na reparação. A sensibilidade da dor alheia é característica de autênticos cristãos. Portanto, não devemos ignorar esse apelo. Combati o bom combate, e nesse combate, não tenho pretensões de acabar, mas quero continuar lutando.


quinta-feira, 21 de junho de 2007

Nascem os primeiros sorrisos


Entro num recinto acolhedor. Existia ali um magnetismo, dava a impressão de “um lugar mágico”, como uma miragem com sombra e água no deserto. Na entrada me deparo com uma criança de cor negra, magra, cabelos crespos bem encaracolados. Pela aparência física, aproximadamente, teria dois anos de idade. Ela corria para os braços de uma moça e chamando-a de tia. Fiquei surpreso, a tia era de cor branca, seus olhos destacavam-se, eram brilhantes e cheios de ternura. Adentrei mais um pouco e deparei com uma senhora, tomado de alegria, contemplei uma imagem indescritível. Foi como tivesse visto, “o sorriso de Deus” refletido no rosto daquela mulher. Naquele momento, imaginei que tipo de sentimento tomava conta dela. Ela possuía um semblante alegre no rosto. Entre suas mãos uma bacia com verduras e legumes parecia que se multiplicavam -, por um pouco remontei o cenário do milagre de Jesus, na multiplicação dos pães para cinco mil pessoas -, descobri depois qual a razão de sua alegria. Dar o pouco para alguém que não tinha nada. Então, perguntei pra mim mesmo, Deus fez ontem, porque Ele não faz hoje? Satisfeito, conclui meus pensamentos. Sim, Ele pode fazer. Não descobri ainda, mais desconfio que “O tempo possui características próprias, fazendo a ponte, entre o que é urgente e o que é prioridade”, isto é a mão de Deus agindo, usando vidas humanas para construir esperanças.

“Quando fazemos algo para Deus. A fé caminha a passos lentos, todas as vezes, quando utilizamos nossas próprias forças. E corre assustadoramente quando sentimos a força de Deus nos dirigindo.”

Essas pessoas são maravilhosas, possuem o cheiro inefável, exalam o bom perfume de Cristo. Elas fazem parte de um grupo de homens e mulheres (jovens e adultos: Os jovens intrépidos e ávidos para produzir. Os adultos, - piedosos com suas mãos firmes, desgastadas pela lida), disponibilizaram seus dons e talentos para servir o próximo. São extensões do toque suave do Senhor naqueles pequeninos. Possuem força e explosão. “… são pessoas cujo coração Deus tocara. (1 Sm 10:26). Há tempos, percebo-os como gravetos incendiados pelo fogo abrasador do Espírito Santo, qualificadas e de grande potencial no Reino de Deus, despertando, inclusive, outros a sair da comodidade de um frio e insensível banco. Percebi que estava dentro de um ambiente envolto em amor, olhando para rostinhos famintos e sedentos de carícias. Tudo isto foi suficiente para me chamar à atenção e descobrir o motivo de tantas alegrias. Para eles, foi como o desvirginar do sol, foram raios de esperança e melhores dias. De seus rostos brotavam sorrisos, meiguices e carinhos.

Nascia ali o Instituto Social Crer e Ser - como braço estendido para acolher crianças excluídas pela própria sociedade. Naquele dia surgia um projeto para crianças da comunidade, cujo objetivo é promover cidadania e ensino cristão. Na carta universal de Tiago 1.27: “A verdadeira religião, pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas nas suas necessidades, e guardar-se incontaminado do mundo”. Acreditamos piamente que foi um divisor de águas para nossas vidas. Estávamos executando na prática o cristianismo, afinal, o evangelho é também social.

A bíblia registra algumas passagens em que Jesus ao anunciar o evangelho do Reino de Deus, focalizava como uma de suas características a sensibilidade diante da dor alheia e a urgente necessidade em assistirem desafortunados. Pode ser que esse projeto surgiu pequeno, mais com a grandeza de amparar as vítimas da sociedade. Ele veio adicionando as tantas outras iniciativas e programas dentro do próprio ministério Betesda. Constatamos que houve mais abertura no leque de atividades. Como uma igreja local, temos mais um desafio, e através de algo maior que projeta-nos para fora das quatro paredes, com o propósito e permear o mundo transformando a sociedade com a mensagem de boas novas, usando como força propulsora do Evangelho Social e, simplesmente, amor. O teólogo e filósofo Francis Schaeffer disse que “Jesus deu ao mundo incrédulo o direito de julgar se somos ou não cristãos, por meio de nosso amor uns pelos outros” conforme (Jo. 13:35). Para nós serviu de estímulos. Glorificar o nome do Senhor com ações, exercendo a fé na prática. Entendemos que quando pregamos o evangelho, fazemos devido a necessidade momentânea em cada indivíduo. Não precisamos, antes, listar uma serie de estudos doutrinários. Afinal, qual o aspecto do evangelho seria mais relevante no momento? Devemos ensinar, primeiramente, todo o conselho de Deus de uma só vez? Não! Isso não. Não vou ficar fazendo deduções teológicas. O evangelho é para alcançar e transformar vidas. Mas as pessoas vítimas da dor, da fome, dos desabrigados, as vítimas de violência infantil, precisam ser cuidados. O sofrimento não tem cor, sexo, raça, ou classe social, ele é real. E muitas vezes bate à nossa porta. É instantâneo.

Preciso aproveitar o ensejo e descrever uma parte do pacto de Lausanne - A Responsabilidade Social Cristã “… a mensagem da salvação implica também uma mensagem de juízo sobre toda forma de alienação, de opressão e de discriminação, e não devemos ter medo de denunciar o mal e a injustiça onde quer que existam. Quando as pessoas recebem Cristo, nascem de novo em seu reino e devem procurar não só evidenciar, mas também divulgar a retidão do reino em meio a um mundo injusto. A salvação que alegamos possuir deve estar nos transformando na totalidade de nossas responsabilidades pessoais e sociais. A fé sem obras é morta.”.

Por isso há em nossos corações um grande regozijo diante do Senhor. Como cristãos, não podemos ficar à margem e ignorar tudo que passa ao nosso redor. Existe um desafio social. Mesmo sabendo que Deus está no controle, há verdades e implicações sobre isso. Não queremos esbarrar em dilemas que afligem nossa consciência. Esses pequeninos não esperam somente as nossas boas intenções, misericórdias, sonhos, e pensamentos favoráveis. Tudo isso é extremamente importante. Para eles, esses momentos são cruciais de suas vidas, portanto, eles esperam algo de concreto. Querem compaixão? Sim. Querem afagos? Sim. Querem carinhos? Sim. Contudo, o alimento não pode faltar. Por tudo isso, somos gratos a Deus pela oportunidade de está no meio deles. Porque certamente Deus estar com eles. Excluídos pelo mundo e abraçados por Deus. Eis aqui o grande privilégio, pois eles são felizes. “Bem aventurados são os pobres…” no meio deles Deus está mais próximo.

“O cristianismo afirma que Deus deixou princípios para que possamos fazer da vida um poema, uma pintura ou uma lâmpada” Ricardo Gondim.

Foram setenta crianças. Não tenho palavras para descrever o espaço em nossos corações, mas sei que abrigou vários Pedros, Guilhermes, Paulos, Marias, Martas e Marcilenes , Cada uma com suas particularidades e com novos sorrisos. Que o nosso supremo Pastor possa nos conduzir pelas estradas da obediência. Vivemos numa realidade incontestável de urgência na necessidade de atos contínuos de compaixão. Demonstrar o amor de Deus. “Nisto conhecemos o amor: que Cristo deu sua vida por nós; e devemos dar nossa vida pelos irmãos”. Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade. E nisto conheceremos que somos da verdade, bem como, perante ele, tranqüilizaremos o nosso irmão. (1 Jo.3:16 – 19).

“Pois Ele é que efetua em nós tanto o querer como o realizar.” (Fp. 2:13) Portanto, seja Ele dado à honra, a glória.